domingo, 26 de agosto de 2012

Medo




É o medo que impede as pessoas
De abaixar a alta rotatividade
De sossegar
De dormir e acordar sob o mesmo olhar.
Não importa a escolha
É interessante observar.

É o medo que adverte as pessoas:
“Pra que a amarração se ainda dá pra soltar?”
“Por que a sensação rotineira se o bom da vida é pular?”

É o medo. É ele mesmo.
Mas, o quanto tarde não seja,
A coragem há de chegar.
A gente não liga de esperar.

(Clara Marinho)

Voa lá











Algumas pessoas são verdadeiros artistas.
Com sua argumentação e encantamento
Conseguem muita coisa.
Uma amizade, um amor ao casamento.
Até mesmo convencer uma banca de vestibular
Sobre sua habilidade em se expressar.
Pensemos: podemos todos ser
Livres para viver e escolher atitudes.

Com imaginação, vai-se.
Com arte, esvai-se.
Eu, se tivesse asas, voaria mesmo!
É um sonho que se repete em muitas noites.
É um ganho que Deus deu aos coloridos
E desenvoltos pássaros do céu.
Mas ser livre é primordial, é carnal e magistral
Como a luz que se vê do alto
Ao encontro com a cidade no baixo.
É, nossa mente, gigante e contundente.
É simples, o simples viver da gente.

(Clara Marinho)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Lem...bra?

Se a lembrança tivesse sobrenome
Seria Perseguição
Abriria-lhe um inquérito
Para maior investigação
Quem perde noites de sono
Sabe do que estou a dizer
E se ela nos atrasa a vida
O que se há de fazer
Lembrança vem no cheiro
No gosto, na imagem
De outro tempo, a mensagem
Pedindo para entrar
Escolho dar-lhe as boas-vindas
Permitindo-a me empurrar
Àquele poço sem volta
Um passado a se afogar.
Àquele mar sem cabelos
Para não me segurar.
E me perco lembrando
Lembrando e a vagar.

(Clara Marinho)


Semiótica Tensiva e Amor


Quero a tonicidade do amor da vida
O andamento acelerado das batidas
Para findar o suspense, quero
Que a exacerbação vença a atenuação
Espero!
Quero o Acontecimento
Quero a Iconização
Não quero "paz" no coração.


(Clara Marinho)



Atrás da porta

Tenho medo da instabilidade da vida
De tanta surpresa malvadinha
Por isso, eu quero fazer
Como a criança que aperta a campainha
E sai correndo pra ninguém ver.
Quero dizer uma frase a você
E depois colocar as mãozinhas nos olhos
E me esconder, até me achar
Quando for a sua hora.

(Clara Marinho)


alma

 Nova fase, adormeço
Liberdade não tem preço
O santo que não conheço
Traduz ao Santo um apreço
Novo e contundente, pois mereço.

Dignidade ativada com sucesso
Silêncio efetivado, e não meço
A dor que deveria sentir, apenas peço
Que voe alto, ou arremesso
Minha saudosa alma, ou tropeço.

                                 (Clara Marinho)

domingo, 22 de janeiro de 2012



A amizade entre professor e aluno pode e deve existir...


Longe de estar certo, o menino Moncho
Imaginava, para seu primeiro dia de aula, um professor
Nada sociável, um verdadeiro carrasco.
Gente de bem era o homem!
Um mestre por excelência, conhecedor da natureza,
Amante dos livros, um bom exemplo, com certeza.

Don Gregório, como tantos, dedicou-se por longo tempo
A ensinar aos pequeninos,
Somando-lhes à vida grandes doses de carinho.

Mediadores de sua leitura, somos, muitas vezes, espelho para nossos alunos.
Apesar de um sistema de estruturas balançadas, podemos
Realizar, com eles, formas alternativas de chegar ao conhecimento.
Inventar métodos dinâmicos e criativos,
Por uma nova e melhor Educação.
O nosso ensinar é também aprendizado.
Sabemos o conteúdo, mas são os alunos,
Aqueles meninos que irão nos dar a parte sensível da profissão.
Saibamos ouvi-los!

(Clara Marinho)

sábado, 21 de janeiro de 2012


Experimentar atitudes, é disso que se trata,
Seja o filme, seja a aula, seja o "estágio".
Criar desafios, se jogar com certeza de vitória.
Riscos, problemas, por tudo se passa,
Inevitavelmente.
Todo tipo de aluno existe: o interessado, o ali obrigado...
O difícil é compreender as individualidades,
Respeitar opiniões, mediar avanços,
Escamotear preconceitos,
Simplesmente abonar os defeitos.

De nada adiantam os exemplos se não os seguimos, mas
Alguém sempre acaba aproveitando: houve quem fizesse uma

Linha no meio da classe, como Erin Gruwell.
Interessante.
Bonito de se ver como há pessoas praticando teorias utópicas
Existe esperança, acredita-se.
Revigora-se a vontade de mudar o pensamento
Dos meninos desconectados de seu futuro brilhante.
Aprendemos, ensinamos, compartilhamos ideias, para
Depois, poder contar uma história de verdade,
Experimentando o escrever, com um tanto de liberdade.


(Clara Marinho)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Após assistir ao filme "Os agentes do destino"


Daí a gente sai do cinema com vontade de traçar nosso próprio destino.

O desejado. Mas os alcances não dependem só de nós. Escolhemos, mas outros também precisam escolher coisas para que as nossas se entrelacem. É a vida, é o destino, é "quelque chose de terrible". Não é fácil. Entrar por uma porta não garante a saída pela mesma. Viver um sentimento intenso e sincero não garante a reciprocidade. A que ponto chegamos? Onde iremos parar? Como controlar? E alguém sabe o segredo? Da vida... só sei o segundo em que vivo. Das próximas linhas não sei. Sei das anteriores se puder reler, lembrar, reviver. Quero ser. Só. Feliz. Se derramar seu café, não pare a imaginar o porquê. É o destino. Limpe. Não brigue se alguém tiver culpa pelo inconveniente. E vá limpando as estranhezas da caminhada. O quanto puder. Ame, não tema. Sonhe, não se paga. Realize. Agora acorde. Ré.

Daí, a gente entra no cinema?

(Clara Marinho)


A vida é uma só, e o tempo passa feito um foguete rumado.
Da minha, posso escolher alguns passos,
mas para haver encontros no tear
Outros precisam rumar.
Amo escrever.

(Clara Marinho)

terça-feira, 26 de julho de 2011


Para mim, importa, e muito
Quem seja
Mas é Deus
Aceito
Quem vai iluminar esse encontro.

(Clara Marinho)


Uma vida pode ser feita
Só de lembranças
Mas ninguém pode ficar parado
Na intelecção
Esperando que elas tomem vida.

(Clara Marinho)

domingo, 3 de julho de 2011

Celebrando o que há em mim ou 12 de junho


Neste dia, as pessoas celebram a reciprocidade
O que não me intimida
Tenho amor em mim
E ele mudou minha vida
Amo além do tempo e da vontade
Além da minha liberdade de escolher caminhos
Amo além do alcance da visão
Enquanto, longe, caminhamos (sozinhos)

(Clara Marinho)

Finitude


Dê-me flores
Mas dê-me as de plástico
Porque "as flores de plástico não morrem".
Dê-me um cãozinho
Mas que seja de pelúcia
Para que não chegue o dia dele dormir para sempre.
Dê-me tempo
Mas dê-me pouco dele
Pois esperar demais é aproveitar menos
Dê-me, enfim, o amor
Que não seja mais do tipo efêmero
"Mas que seja infinito enquanto dure"
E que seu tempo seja medido somente
pelo derradeiro fechar de nossos olhos
Para os quais olhará com doces lágrimas
O nosso futuro personificado
Naqueles que fizemos nascer
E nos filhos deles, que vimos crescer.

(Clara Marinho)

Foto: Êmile Marinho

domingo, 3 de abril de 2011

Le Papillon



A maçã é a maçã
Eu sou a borboleta
Preciso viver antes do amanhã
Voar e sair da caçoleta.

La pomme est la pomme
Je suis le papillon
J'ai besoin de vivre mon présent nom
Sans le joli nom de l'homme

(Clara Marinho)

Temperança










Cada dia tento serenar meu coração
Das lembranças que tenho de você
Daquelas que ficaram neste chão.
Você voou, e isso é bom
Renova o ser, aumenta o tom.
Quem ama guarda palavras de esperança
De que um dia a vida lhe conceda esta dança.
Pés firmes, mãos dedicadas
Sigo.
Abraço quem seja amigo.
Canto, danço, dou risadas
E a você guardo o abrigo.

(Clara Marinho)

domingo, 13 de fevereiro de 2011






Se Vinicius de Moraes era tão apaixonado,

Por que eu não posso ser?

Se ele vivia jogado aos pés de sua dama,

Por que eu devo me erguer?

Ah, se Vininha era mesmo o poeta galante,

Serei eu a moça cantante,

A destemida e hilariante,

Mulher de um homem só!

Você.


(Clara Marinho)


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011










A segurança deve vir serena e com profundidade
Não tenhamos pressa nessa vida!

(Clara Marinho)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Se eu pudesse



Elegeria todas as noites como propícias a dedicar-lhe um canto
Às manhãs, beijaria sua face, a desejar que seu dia fosse perfeito
Mas não posso, a este tempo ainda tenho suave pranto
Ontem, hoje, amanhã ... carrego esse amor em meu peito.

(Clara Marinho)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viniciar










Vinicius de Moraes
Inquieto poeta
Na bossa renovais
Indelével a meta
Cantar sempre, e jamais
Insistir em ter medo
Amar cada vez mais
Rir de si em segredo


(Clara Marinho)