terça-feira, 26 de julho de 2011


Para mim, importa, e muito
Quem seja
Mas é Deus
Aceito
Quem vai iluminar esse encontro.

(Clara Marinho)


Uma vida pode ser feita
Só de lembranças
Mas ninguém pode ficar parado
Na intelecção
Esperando que elas tomem vida.

(Clara Marinho)

domingo, 3 de julho de 2011

Celebrando o que há em mim ou 12 de junho


Neste dia, as pessoas celebram a reciprocidade
O que não me intimida
Tenho amor em mim
E ele mudou minha vida
Amo além do tempo e da vontade
Além da minha liberdade de escolher caminhos
Amo além do alcance da visão
Enquanto, longe, caminhamos (sozinhos)

(Clara Marinho)

Finitude


Dê-me flores
Mas dê-me as de plástico
Porque "as flores de plástico não morrem".
Dê-me um cãozinho
Mas que seja de pelúcia
Para que não chegue o dia dele dormir para sempre.
Dê-me tempo
Mas dê-me pouco dele
Pois esperar demais é aproveitar menos
Dê-me, enfim, o amor
Que não seja mais do tipo efêmero
"Mas que seja infinito enquanto dure"
E que seu tempo seja medido somente
pelo derradeiro fechar de nossos olhos
Para os quais olhará com doces lágrimas
O nosso futuro personificado
Naqueles que fizemos nascer
E nos filhos deles, que vimos crescer.

(Clara Marinho)

Foto: Êmile Marinho

domingo, 3 de abril de 2011

Le Papillon



A maçã é a maçã
Eu sou a borboleta
Preciso viver antes do amanhã
Voar e sair da caçoleta.

La pomme est la pomme
Je suis le papillon
J'ai besoin de vivre mon présent nom
Sans le joli nom de l'homme

(Clara Marinho)

Temperança










Cada dia tento serenar meu coração
Das lembranças que tenho de você
Daquelas que ficaram neste chão.
Você voou, e isso é bom
Renova o ser, aumenta o tom.
Quem ama guarda palavras de esperança
De que um dia a vida lhe conceda esta dança.
Pés firmes, mãos dedicadas
Sigo.
Abraço quem seja amigo.
Canto, danço, dou risadas
E a você guardo o abrigo.

(Clara Marinho)

domingo, 13 de fevereiro de 2011






Se Vinicius de Moraes era tão apaixonado,

Por que eu não posso ser?

Se ele vivia jogado aos pés de sua dama,

Por que eu devo me erguer?

Ah, se Vininha era mesmo o poeta galante,

Serei eu a moça cantante,

A destemida e hilariante,

Mulher de um homem só!

Você.


(Clara Marinho)


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011










A segurança deve vir serena e com profundidade
Não tenhamos pressa nessa vida!

(Clara Marinho)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Se eu pudesse



Elegeria todas as noites como propícias a dedicar-lhe um canto
Às manhãs, beijaria sua face, a desejar que seu dia fosse perfeito
Mas não posso, a este tempo ainda tenho suave pranto
Ontem, hoje, amanhã ... carrego esse amor em meu peito.

(Clara Marinho)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viniciar










Vinicius de Moraes
Inquieto poeta
Na bossa renovais
Indelével a meta
Cantar sempre, e jamais
Insistir em ter medo
Amar cada vez mais
Rir de si em segredo


(Clara Marinho)

Propósito


De propósito pus seu nome lá dentro
E não arranco mais
Esqueci de contar o “por cento”
E já não cabem os ais
Pra que tanto tormento
Se já mando no espaço
Desde tempos atrás
Sem propósito soltei o nome no vento
E cuidei não achar mais
O peito reclamou o talento
E o tempo de volta me traz

(Clara Marinho)

Ciranda dos sexos

Meninas dançam
Meninos sapateiam
Meninas trançam
Meninos só penteiam
Meninas choram
Meninos escamoteiam
Meninas dão à luz
Meninos só semeiam
Meninas amam
Meninos ?

(Clara Marinho)

Constatação


Ao cupido inútil
Que poupou uma das flechas
Assino a demissão

Ao coração fútil
Que traz noites tão perplexas
Abro o alçapão

Ao destino sútil
Que une tantas pechas
Digo o meu não!

(Clara Marinho)

À Paula Tavares


Relaxem-nos
Mães africanas
Que por aqui
Temos mãe única
E ela precisa de nós
Untem-nos
Mães angolanas
Que ao coração
Temos túnica
De dor e de “dós”
Curem-na
Mães de outras anas
Que sem Fortaleza
Persiste a fé púnica
De sermos tão sós

(Clara Marinho)

sábado, 10 de julho de 2010

Medieval


Estou dentro de uma cantiga
De amigo
Sou o eu-lírico
Sou a que fala às flores
A que sente os odores do natural
A que doará seu enxoval
Caso o amado não volte da guerra
Sou eu, sou eu.

(Clara Marinho)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Fita, que é pra entender









Medo de que, ao deixar de ser laranja,
Arrebente
Mesmo antes de se realizarem
Os desejos que seus nós sustentam
Contudo, o maior deles é prece
Não seria nem justo
Outro é meta, cabe às pernas o alcançar
Terceiro e incólume, é do coração
É para ele decidir

(Clara Marinho)

domingo, 4 de abril de 2010

Canto Sacro










Canto para o Pai
E tremo antes
Pois não há no mundo homem
Mais importante,
Apreciador que mereça
Maior dedicação
Do que Aquele que me deu
Meu sincero coração.

(Clara Marinho)

domingo, 28 de março de 2010

Tudo ao seu tempo










Compreendo tudo
Até que o tempo precisa
Simplesmente passar
Maturidade não me falta
Aliás, o juízo está-me a sobrar

Vivo a guilhotinar palavras
A por a máscara escura
A censurar-me em vez de me jogar
Quantos pontos se contam, aí, à virtude
Ao defeito, quantos se dão a somar

Que merecer há em mim desse amor
Ah! Ele também deve ser passível disso
Haverá, depois, o que hoje cabe ao tempo segurar
Ou o mesmo mestre tempo dar-se-á
O direito de tudo modificar

Não sei, ninguém sabe
"Futurismo" nunca é às claras
A mim, resta mesmo esperar
Nessa brincadeira, vou crescendo
E desenvolvo da paciência o praticar

(Clara Marinho)

sábado, 20 de março de 2010

Sonho












Sorria, com o olhar de sempre
Mas a voz me disse: "Vai se matar!"
Busquei pela mão a culpada
E ela não quis ajudar
Corri, num precipício parei
Ao fundo das águas sombrias
Com toda coragem voei
Rostos, antes belos, tão tortos
Erguia-os todos com pavor
Em meio a tantos já mortos
Pálido estava meu senhor
Minhas asas acima nos levaram
E em meu colo rejuveneceu
Seus olhinhos tão lindos brilharam
Ele sabia que era eu
Em mãos de uma humilde senhora
O pequeno amado entreguei
Dizendo voltar outrora
E que por muito amor o salvei
Ela disse: "Vá sem demora
Ele não tarda a melhorar
Mas volte, querida nora
Um dia ele há de te amar"

(Clara Marinho)

terça-feira, 16 de março de 2010

Novas palavras










Perdi minha paz
E nada me faz cantante
Não caibo mais
Nem em mim
Tamanho amor emanante

Não sei que pedidos fazer
Nem se posso crer
Nalguma esperança
Do amor que nascera
Tão puro e sincero
Como uma criança

Amo sem querer dizer
Da proporção que isso tomou
E nada se há de fazer
Se o tempo de asas
Pra longe o levou

Vejo sorrisos, cuido felicidade
O amor encontrou alegria
De cura leve em “longevidade”
Tão pouco pensou que se ergueria

Vivo e jejuo a expressão do amar
Sigo a acautelar o sentimento
Não mais me deixo chorar
Não me permito o tormento

Senhora de meus anseios
Patrona de minhas sandálias
Enredo meus devaneios
Pincelo as didascálias

(Clara Marinho)